GÊNERO, VIOLÊNCIA CONJUGAL RECÍPROCA E INTERAÇÃO SISTÊMICA DO CASAL: INTERPRETAÇÃO DA FALA DE UM JUIZ

Autores

  • Ivonete Granjeiro Universidade Católica de Brasília
  • Liana Fortunato Costa Universidade Católica de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.18837/rda.v12i1.5862

Resumo

DOI: http://dx.doi.org/10.18837/1518-9562/direito.acao.v12n1p15-51

A agressão conjugal mútua é um fenômeno complexo e pouco pesquisado no meio acadêmico. As pesquisas em geral demonstram que a mulher é a principal vítima da violência perpetrada por seu companheiro, marido ou namorado e, por isso, há certa resistência em reconhecê-la também como agressora. Independente disso, todas as relações amorosas, em maior ou menor grau, apresentam jogos de poder, dominação e opressão entre os gêneros. Tais relações não são necessariamente complementares, em que a mulher submete-se aos mandamentos masculinos. Na
verdade, o relacionamento conjugal caracteriza-se por ser dialético. Há um sucessivo emprego de sutilezas, oposições de desejos e comportamentos, uniões de contrários e estratégias de poder para fazer valer a vontade de um ou de outro. Diante desses inúmeros jogos, a falta de diálogo e compreensão entre o casal pode desencadear processos recíprocos de violência psicológica, moral, física
e patrimonial. O presente trabalho diz respeito à análise de uma entrevista realizada com um magistrado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). O método da hermenêutica  de profundidade foi o escolhido para interpretar as opiniões, crenças e compreensões do magistrado acerca do tema pesquisado e, principalmente, verificar como ele se manifesta diante das questões de gênero e da denúncia masculina de sofrer violência por parte de sua mulher/companheira. O que as informações coletadas e analisadas demonstram é que o casal busca ajuda da Justiça para melhorar a comunicação, resolver o conflito e manter a relação conjugal. Todavia, o processo judicial é objetivo e hierarquizado, com olhos apenas para o indivíduo por si só (intrapsíquico). É necessário construir uma visão processualística diferente, em que os sujeitos em conflitos sejam vistos na sua totalidade e integridade, e que a
construção de uma relação comunicacional entre o casal seja uns dos pontos a ser valorizado na resolução do conflito.


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Como Citar

Granjeiro, I., & Costa, L. F. (2015). GÊNERO, VIOLÊNCIA CONJUGAL RECÍPROCA E INTERAÇÃO SISTÊMICA DO CASAL: INTERPRETAÇÃO DA FALA DE UM JUIZ. Direito Em Ação - Revista Do Curso De Direito Da UCB, 12(1). https://doi.org/10.18837/rda.v12i1.5862

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Artigos