‘Viver é conviver’: sobre a construção de saberes e experiências entre crianças com diabetes

Autores

  • Andrea Soares Wuo
  • Marcos Vieira Silva
  • Jucimara do Patrocínio Silvério
  • Hilda Elaine Rodrigues
  • Pedro Henrique Pereira Sizer

Resumo

O Diabetes é uma doença crônica que tem se tornado cada vez mais frequente, portanto um problema de saúde publica. Diante da amplitude do problema e constatando a necessidade de controle do índice glicêmico por parte da pessoa com diabetes, percebe-se que as implicações da doença estão para além da dimensão biológica, já que é necessário um engajamento do paciente no tratamento. A notícia da doença e a necessidade de adoção de novos hábitos comportamentais e alimentares para o controle do diabetes tende a dificultar a aceitação da doença, além de suscitar sentimentos de inconformismo e exclusão social. O objetivo deste artigo é apresentar as experiências vivenciadas por um grupo de crianças com diabetes tipo 1, residentes no município de São João del-Rei, Minas Gerais, em um projeto de extensão universitária cuja proposta é fortalecer a identidade, favorecendo o desenvolvimento e autonomia das crianças. Por meio de procedimentos baseados no Círculo de Cultura de Paulo Freire, nas Oficinas de Grupo de Lúcia Afonso, e nos grupos operativos de Pichon-Riviére, os estagiários de Psicologia coordenam reuniões semanais com o grupo e trabalham com intervenções que buscam enfatizar aspectos grupais relevantes para o desenvolvimento, conscientização e autonomia das crianças. Ao longo dos encontros realizados, foi possível observar a tomada de novas posturas e formas de lidar com a doença em situações sociais, tais como experiências de discriminação ou estigma vivenciados pela criança com diabetes na escola ou em outros locais recreativos. Os espaços dedicados à reflexão e à elaboração proporcionam ao grupo a troca de experiências e vivências pessoais, estabelecendo vínculos de semelhança. As ansiedades, desejos e dificuldades são compartilhados, o que colabora para uma maior afetividade e coesão grupal e, com isso, um maior engajamento no tratamento por meio do fortalecimento da identidade e autonomia dos membros do grupo. 

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