O ESTADO DE EXCEÇÃO E OS INVISÍVEIS SOCIAIS: UM ENCONTRO DE AGAMBEN E LÉVINAS
DOI:
https://doi.org/10.31501/repats.v4i2.8805Resumo
RESUMO: O presente artigo faz relação entre o episódio Engenharia Reversa (Men against fire), da série televisiva Black Mirror, o conceito de estado de Exceção de Agamben e a ética em Lévinas. Black Mirror apresenta uma mistura entre realidade e futurismo e demonstra em seus episódios o pior lado do ser humano, o seu “espelho negro”. No episódio 5, da 3ª temporada, não é diferente. Por meio dele, somos levados a um ambiente de guerra, no qual os soldados, que possuem um aparato de guerra tecnologicamente avançados, tem um inimigo a ser exterminado em meio aos civis: as baratas. Com o desvelamento da narrativa, fazendo um paralelo com a ética de Emmanuel Lévinas, podemos observar que a perspectiva de totalização leva ao ideal de destruição do Outro, que não é o Mesmo de mim. As baratas precisam ser extirpadas da sociedade porque são diferentes dos demais. Diversas vezes em nossa história fomos inseridos na mesma lógica. Nesse ambiente, invoca-se o conceito de rosto, de Lévinas, para demonstrar como o encontro com o rosto do Outro e seu reconhecimento como alteridade é a única forma de invocar a responsabilidade do eu sobre as atrocidades que são cometidas tanto na obra fictícia, quanto no passado e presente da humanidade, em nome da uniformidade e totalização.
PALAVRAS CHAVE: Black Mirror, ética, totalização, Outro, rosto, responsabilidade.