“O OLHAR QUE NÃO ME ALCANÇA”: projeção corpórea do deficiente visual apesar (ou à luz) da sociedade excludente

Ramiro Ferreira de Freitas, Ariza Maria Rocha

Resumo


Corpo parece, de início, algo óbvio, tangível e sensível. As práticas corporais, por sua vez, quando são apreendidas sistematicamente e instaladas no ramo científico (da Educação Física, sobretudo) recebem valoração específica, constituem universo de sentido e significado. Mas, o que não é tão naturalizado e, contudo, passa a fazer parte do imaginário real no ensino dito “includente” é a assimilação, por sujeitos diferentes, da sua carne – pertença inafastável da pessoa. Como um estudante (jovem ou adulto) com diversidade funcional na visão “enxerga” a entidade que o torna visível para os outros? Através de análise bibliográfica e aporte fenomenológico, procurou-se compreender o tempo-espaço do corpo “não-visível” na interface saber-viver intrinsecamente ligada à dualidade sujeito-objeto. Pretende-se, também, elaborar um produto educacional (cartilha) capaz de fornecer, conforme didática conveniente, substrato prático ao labor educativo cuja fonte se pretende acessível. Não se trata da constante (e pouco original) revisão normativo-pedagógica que destaca o déficit e procura “investir” nos conceitos e termos próprios dos doutrinadores em Ensino Especial. Antes, tem a proposta hoje revelada, por justificativa a necessária reflexão quanto à autoimagem do indivíduo deficiente visual no mundo, compartilhando dificuldades e possibilidades em razão, ou por causa, da coletividade (colegas de classe, professores, concidadãos).

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