“MAS É TUDO IGUAL!” – AS VIVÊNCIAS DE IN(EX)CLUSÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR POR MEIO DOS DIZERES DE UM ESTUDANTE COM SURDEZ

Fernanda Heloisa de Mello, Julianne Fischer

Resumo


A interface da Educação Física escolar e a sociedade pressupõem reflexões sob as diversas representações, ações e dinâmicas que englobam as vivências escolares dos sujeitos. Nessa direção, este artigo apresenta um estudo que teve como objetivo compreender as vivências de in(ex)clusão nas aulas de Educação Física Escolar por meio dos dizeres de um estudante com surdez da 8ª série do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual da cidade de Joinville, Santa Catarina. Este é um estudo de abordagem qualitativa, que utilizou como instrumentos de coleta de dados a entrevista individual semiestrutura, realizada em Língua Brasileira de Sinais, e a construção de desenho. Os referencias teóricos que fundamentaram nossa análise dos dados coletados, foram: Vigotski (2000,2007, 2009, 2010) no que se refere à construção do pensamento e da linguagem, a formação social e a imaginação e criação dos sujeitos; Molon (1999) no que se refere à constituição do sujeito surdo; Bracht (1996) no que tange a Educação Física escolar e o movimentar-se. A discussão abordada em nosso estudo apontou-nos a condição de subordinação do estudante com surdez no contexto social ouvinte. Por ora, este, realiza as mesmas atividades que os ouvintes nas aulas de Educação Física, o que gera no estudante com surdez um sentimento de pertencimento social. No entanto, essa participação ocorre sem uma aproximação com os ouvintes devido à ausência da língua como elemento integrador. Deste modo compreendemos que as vivências de in(ex)clusão deste estudante nas aulas de Educação Física não se referem a um resgate de um sujeito excluído, e sim a eliminação de barreiras que limitam sua relação com os ouvintes.

Palavras-chave


Educação Física escolar; Vivências; Surdez;In(ex)clusão.

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