Chamada para edição n. 39 “Edgar Morin e a Comunicação”
Chamada para edição n. 39 “Edgar Morin e a Comunicação”
Co-editores: Gustavo de Castro (UnB) e Florence Dravet (UCB)
Submissão: até 30 de abril de 2027
Publicação: até 31 de agosto de 2027
Edgar Morin (1921-2026) é conhecido como um pensador da Complexidade e da Transdisciplinaridade. Todavia, sua contribuição para os estudos em Comunicação é muito mais abrangente. Histórica e intelectualmente, Morin tem uma relação constitutiva com o campo da Comunicação. Ele atuou no jornalismo especialmente durante a resistência francesa e no pós-guerra, mas também colaborou com o jornal Le Monde ao longo de toda sua carreira. Foi responsável por atividades de informação e propaganda para o exército francês ao fim da Segunda Guerra Mundial. Participou da criação de revistas e da vida intelectual francesa como espaço de debate público. Foi pesquisador de cinema, analisando a imagem, o imaginário e a relação entre espectador e tela em obras como Le Cinéma ou l’Homme imaginaire (1956) et Les stars (1957) e dirigiu com Jean Rouch um filme documentário em curta metragem (Chronique d’un été, 1961). Ele desenvolveu uma das primeiras análises sistemáticas da cultura de massa em L’Esprit du temps (1962), antecipando questões que depois seriam centrais nos estudos culturais e na sociologia da comunicação, foi um dos fundadores, em 1961, da revista Communications, criada no âmbito do Centre d’études des communications de masse da École Pratique des Hautes Études, ao lado de Georges Friedmann e Roland Barthes, entre outros, um marco importante na institucionalização dos estudos franceses da Comunicação, e também foi um dos primeiros a pensar a desinformação ao estudar o boato, na obra O Rumor de Orleans (1969).
De todas essas formas, Edgar Morin antecipou uma compreensão da comunicação como produção de mundos simbólicos e de formas de experiência, na qual a circulação de imagens, narrativas e mitos são tão ou mais importantes que a mera transmissão de informações. O conceito moriniano de ecologia da ação antecipa uma compreensão dos ambientes digitais como espaços de circulação imprevisível, nos quais os efeitos comunicacionais escapam às intenções originais dos emissores. Por fim, a obra de Morin oferece não apenas objetos para o estudo da comunicação, mas uma proposta epistemológica que legitima a própria natureza interdisciplinar do campo comunicacional. A perspectiva moriniana permite compreender os ecossistemas comunicacionais contemporâneos como sistemas complexos, nos quais a proliferação informacional produz simultaneamente conhecimento e ignorância, integração e fragmentação, diálogo e incompreensão.
Convidamos a comunidade acadêmica a colaborar com o dossiê Edgar Morin e a Comunicação, com artigos, entrevistas, traduções e ensaios visuais na intenção de reafirmar a participação do autor na constituição do campo dos estudos em Comunicação.
Temas sugeridos para submissão:
- Teoria culturológica;
- Cultura para o grande público;
- As estrelas de cinema e a indústria cultural;
- Imaginário e comunicação;
- Estética e comunicação;
- Mídia, cultura e processos simbólicos;
- Teoria da complexidade;
- Pensamento complexo e comunicação;
- Metamorfose e transformações sociais;
- Transdisciplinaridade e epistemologias da comunicação;
- Ecologia, ecologia da ação e comunicação ambiental;
- Educação, conhecimento e reforma do pensamento;
- Comunicação, ética e cidadania planetária;
- Comunicação, crise e incerteza;
- Cultura digital e complexidade;
- Humanismo, pós-humanismo e comunicação;
- Sociologia do presente e contemporaneidade;
- Outros temas relacionados à obra e ao pensamento de Edgar Morin.
Revue Esferas
Appel à contributions pour le numéro 39 : « Edgar Morin et la Communication »
Coéditeurs : Gustavo de Castro (UnB) et Florence Dravet (UCB)
Date limite de soumission : 30 avril 2027
Publication : jusqu'au 31 août 2027
Edgar Morin (1921-2026) est connu comme un penseur de la Complexité et de la Transdisciplinarité. Toutefois, sa contribution aux études en Communication est bien plus vaste. Historiquement et intellectuellement, Morin entretient une relation constitutive avec le champ de la Communication. Il a exercé le journalisme, notamment pendant la Résistance française et l'après-guerre, tout en collaborant au journal Le Monde tout au long de sa carrière. Il fut également responsable d'activités d'information et de propagande pour l'armée française à la fin de la Seconde Guerre mondiale. Morin a participé à la création de revues et à la vie intellectuelle française en tant qu'espace de débat public. Chercheur en cinéma, il a analysé l'image, l'imaginaire et la relation entre le spectateur et l'écran dans des ouvrages tels que Le Cinéma ou l'Homme imaginaire (1956) et Les Stars (1957), et a coréalisé avec Jean Rouch un film documentaire, Chronique d'un été (1961). Il a développé l'une des premières analyses systématiques de la culture de masse dans L'Esprit du temps (1962), anticipant des questions qui deviendraient par la suite centrales dans les études culturelles et la sociologie de la communication. En 1961, aux côtés de Georges Friedmann, Roland Barthes et d'autres chercheurs, il fut l'un des fondateurs de la revue Communications, créée dans le cadre du Centre d'études des communications de masse de l'École Pratique des Hautes Études, marquant une étape importante dans l'institutionnalisation des études françaises en Communication. Il fut également l'un des premiers à réfléchir à la désinformation en étudiant la rumeur dans La Rumeur d'Orléans (1969). Par toutes ces contributions, Edgar Morin a anticipé une compréhension de la communication comme production de mondes symboliques et de formes d'expérience, dans laquelle la circulation des images, des récits et des mythes est aussi, voire plus, importante que la simple transmission d'informations. Le concept morinien d'« écologie de l'action » anticipe une compréhension des environnements numériques comme des espaces de circulation imprévisible, où les effets communicationnels échappent aux intentions initiales des émetteurs.
Enfin, l'œuvre de Morin offre non seulement des objets d'étude pour la communication, mais aussi une proposition épistémologique qui légitime la nature interdisciplinaire du champ communicationnel. La perspective morinienne permet de comprendre les écosystèmes communicationnels contemporains comme des systèmes complexes, dans lesquels la prolifération informationnelle produit simultanément connaissance et ignorance, intégration et fragmentation, dialogue et incompréhension.
Nous invitons la communauté des chercheurs à contribuer au dossier « Edgar Morin et la Communication », par des articles, des entretiens, des traductions et des essais visuels, afin de réaffirmer la participation de cet auteur à la constitution du champ des études en Communication.
Thèmes suggérés pour les soumissions :- Théorie culturologique ;
- Culture destinée au grand public ;
- Les stars de cinéma et l'industrie culturelle ;
- Imaginaire et communication ;
- Esthétique et communication ;
- Médias, culture et processus symboliques ;
- Théorie de la complexité ;
- Pensée complexe et communication ;
- Métamorphose et transformations sociales ;
- Transdisciplinarité et épistémologies de la communication ;
- Écologie, écologie de l'action et communication environnementale ;
- Éducation, connaissance et réforme de la pensée ;
- Communication, éthique et citoyenneté planétaire ;
- Communication, crise et incertitude ;
- Culture numérique et complexité ;
- Humanisme, posthumanisme et communication ;
- Sociologie du présent et contemporanéité ;
- Autres thèmes liés à l'œuvre et à la pensée d'Edgar Morin.
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