“Samba de coco do cerrado”
Representações, cultura material e territorialidade na obra de Martinha do Coco
DOI:
https://doi.org/10.31501/clogia.v17i1.15491Resumo
Este artigo analisa dimensões simbólicas, socioculturais e materiais do "samba de coco do cerrado" na obra de Martinha do Coco, figura icônica da cultura popular em Brasília, capital do Brasil. Por meio de abordagem interdisciplinar, foram realizadas entrevistas em profundidade e análises de capas de álbuns, letras de canções e elementos sonoro-musicais. A pesquisa fundamenta-se nos estudos culturais de Stuart Hall (2016), na teoria da cultura material de Daniel Miller (2013), no conceito de "territórios afetivos" de Jan Simon Hutta (2020) e na epistemologia da ancestralidade de Eduardo Oliveira (2009). Dentro desses marcos teóricos, o estudo investiga como as práticas musicais de Martinha reinterpretam tradições nordestinas no contexto do cerrado brasiliense, articulando territorialidades que conectam memória coletiva, ancestralidade e experiências contemporâneas. Destaca-se o protagonismo das mulheres em sua obra, que desafia estereótipos de gênero e transforma experiências de luto em legado cultural. A celebração da cultura popular emerge como espaço de acolhimento e resistência, fomentando a inovação e contribuindo para processos de reterritorialização. Conclui-se que o "samba de coco do cerrado" constitui uma prática de (re)existência, na qual ancestralidade, coletividade e pertencimento se entrelaçam para imaginar futuros mais inclusivos e plurais.
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