Revisionismo e as relações das novas direitas com a ditadura militar no Brasil e na Argentina
Resumo
No presente artigo, examinamos a influência do discurso revisionista da extrema-direita, que busca negar os crimes cometidos pelas ditaduras militares no Brasil e na Argentina, sobre o cenário político contemporâneo e avaliar como as extremas-direitas dos respectivos países mobilizam esse passado recente na política nacional. Ao traçar um breve panorama histórico das ditaduras e seus processos de abertura política, destacamos as principais semelhanças e diferenças entre os dois países, a fim de compreender como esses processos influenciam no sistema político das novas repúblicas e reverberaram na configuração dessas direitas em cada país. Do ponto de vista metodológico, será abordada a ascensão da extrema direita nos respectivos países a partir da perspectiva braudeliana interdisciplinar de longa duração e utilizando-se técnicas da história comparada. Concluímos, desse modo, que a Argentina passa por um processo recente de revisionismo histórico, com disputas pela politização da memória e sobre consensos que foram mais estabelecidos no processo de redemocratização; enquanto o Brasil, onde não houve um consenso amplo e consolidado em relação à ditadura e onde os militares estiveram presentes na política nacional da “Nova República”, a mobilização desse passado, ao contrário da Argentina – pelo menos até agora – direciona-se a um projeto de futuro, que vê na ditadura militar um antídoto até hoje para solucionar a crise do Estado brasileiro.



