ENSINO REMOTO EMERGENCIAL E EVASÃO NA GRADUAÇÃO

Autores/as

  • Letícia Prezzi Fernandes Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Irma Bueno Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumen

Durante o período de situação emergencial de saúde devido à pandemia de COVID-19, as instituições de ensino precisaram criar ferramentas para manter  suas funções educativas de forma remota. O objetivo deste trabalho é analisar as estratégias criadas por uma Universidade Federal para enfrentar o  período de crise e os possíveis impactos destas estratégias na vida acadêmica de seus estudantes. Para tanto, foram analisados os dados produzidos pela  Comissão de Acompanhamento do Ensino Remoto Emergencial (ERE) nos relatórios de 2020/1 e 2020/2 e as normativas criadas pela instituição para regulamentar tal ensino. A partir de um aparato legal, foram reguladas formas de ensino, registros acadêmicos e a suspensão de dispositivos de controle de desempenho dos estudantes. O delineamento de um Ensino Remoto Emergencial buscou preservar a situação dos estudantes pré-pandemia, congelando  índices de desempenho e suspendendo desligamentos, exceto os solicitados pelo aluno. Assim, embora não tenhamos o registro de desligamento dos estudantes, gerando evasão, é possível mapear como se deu a permanência destes durante esse período. O quantitativo de alunos que solicitaram  matrícula em 2022/1, primeiro semestre após o ERE, foi 7% menor do que no semestre 2020/2 (primeiro semestre de matrícula já em ERE). Essa leve queda  pode estar relacionada com a dificuldade de retornar ao ensino presencial após dois anos de estratégias remotas. A média de atividades cursadas por aluno  também apresentou ligeiro aumento durante a vigência do ERE, em torno de 2%, em relação aos semestres imediatamente anteriores. Em termos de  desempenho, o número de reprovações no semestre 2020/1 foi reduzido em quase 11% em relação às reprovações do semestre de 2019/1. Já o número de  exclusões de matrícula em 2020/1 cresceu quase 5 vezes em relação ao semestre 2019/1. Também se verificou um aumento do abandono das Atividades de Ensino, porém, como não havia como precisar o motivo do abandono, estes estudantes ficaram com registro de conceito Não Informado ao final do semestre. Uma análise inicial destes dados nos instiga a questionar: por que estudantes de cursos presenciais buscaram matricular-se em mais atividades  de ensino durante o Ensino Remoto Emergencial do que em semestres regulares? O que fomentou esse interesse? Nos questionários realizados pela  instituição os estudantes indicaram que a realização das atividades de forma remota, sem necessidade de deslocamento, assim como a possibilidade de ter  as aulas gravadas podendo revê-las foram pontos positivos dessa estratégia de ensino. Conquanto alguns pontos positivos foram ressaltados, verifica-se  um aumento significativo de alunos que não cursaram atividades de ensino nos semestres 2020/1 (3.890) e 2020/2 (5.400) em relação aos semestres 2019/1 (1.911) e 2019/2 (1.499). Esse aumento parece estar relacionado com a possibilidade de exclusão de matrícula durante todo o semestre permitindo que os  alunos tentassem a aprovação na atividade até o fim do semestre e, ao não lograr um bom desempenho, excluírem a atividade. Essa ação, quando analisada junto ao aumento de atividades por aluno, demonstra que os estudantes buscaram utilizar esse período de ERE para avançar de forma mais  rápida no curso. Contudo, a diminuição no número de concluintes pode indicar que essa tentativa não alcançou o êxito desejado. Os resultados deste estudo indicam que ainda há outros impactos a serem analisados após este período emergencial remoto, sendo necessário questionar que efeitos o  isolamento durante os semestres de 2020 e 2021 pode ter no retorno ao ensino presencial regular e como isso afetou os estudantes, especialmente os ingressantes. 

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Publicado

2023-03-01

Cómo citar

Prezzi Fernandes, L. ., & Bueno, I. . (2023). ENSINO REMOTO EMERGENCIAL E EVASÃO NA GRADUAÇÃO. Congresos CLABES, 1(1). Recuperado a partir de https://portalrevistas.ucb.br/index.php/clabes/article/view/16157

Número

Sección

Factores, tipos y perfiles asociados a la permanencia y al abandono