CONTRIBUIÇÕES DA PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADES NÃO OBRIGATÓRIAS PARA A ADAPTAÇÃO DE INGRESSANTES MEDALHISTAS DE OLÍMPIADAS CIENTÍFICAS NO ENSINO SUPERIOR

Autores/as

  • Camila Alves Fior Universidade Estadual de Campinas

Resumen

A participação dos universitários em atividades extracurriculares ou não obrigatórias é associada a
uma maior adaptação ao ensino superior e satisfação com o curso escolhido, além de contribuir para
o desenvolvimento integral dos mesmos. Soma-se que a ampliação no acesso ao ensino superior tem
ocorrido também por diferenciação nas formas de ingresso para esse nível de ensino e em algumas
instituições públicas brasileiras destaca-se a reserva vagas para estudantes que foram medalhistas em
Olimpíadas do conhecimento, considerados universitários com altas habilidades acadêmicas. Tais
estudantes, apesar de desempenho de destaque em áreas específicas, podem ter dificuldades na
adaptação ao ensino superior e na permanência no curso escolhido. Há várias décadas, instituições
estrangeiras têm direcionado a atenção para a implementação de programas específicos para
universitários com altas habilidades, incluindo a participação em atividades extracurriculares a fim
de contribuir para a permanência dos mesmos no ensino superior. No Brasil, apesar de tal forma de
acesso ser bastante recente, acrescenta-se que diante da pandemia de Covid-19 e a fim de minimizar
os impactos sanitários da contaminação pelo vírus SARS-COV-19, as instituições de ensino superior
suspenderam as atividades presenciais, houve a migração para o ensino remoto emergencial (ERE) e
a participação nas atividades não obrigatórias também sofreu ajustes, com a migração do contexto
presencial para o on-line. Diante disso, o objetivo do presente estudo é descrever a participação de
ingressantes que acessaram o ensino superior por meio de editais específicos para medalhistas em
Olimpíadas científicas em atividades não obrigatórias, bem como analisar a percepção dos mesmos
sobre o papel de tais experiências na adaptação ao ensino superior. Participaram deste estudo 11
universitários matriculados em uma universidade pública brasileira, sendo 73% do sexo masculino e
91% estavam matriculados em cursos da área de Ciências Exatas. A coleta de dados ocorreu por meio
da realização de entrevistas semiestruturadas individuais, por plataforma de videoconferências e para
o tratamento dos dados utilizou-se a análise de conteúdo temática. Os resultados evidenciaram que
dos entrevistados, 73% dos estudantes participaram em atividades não obrigatórias no decorrer do
primeiro ano no ensino superior das quais se destacaram: as atividades de iniciação científica,
empresa-júnior, projetos específicos dos cursos vinculados a competições entre universidades,
associações atléticas e coletivo feministas. Dentre as contribuições das atividades não obrigatórias
para a adaptação ao ensino superior destacam-se: estreitamento no contato com docentes o que
favoreceu, inclusive, o suporte para o enfrentamento dos desafios nas disciplinas cursadas; a
oportunidade de construir vínculos com colegas do curso, auxiliando na reconstrução da rede de
relacionamentos; ampliação na visão de mundo, a partir das temáticas discutidas e pelo

empoderamento diante de situações de discriminação de gênero vividas no ensino superior; além da
motivação para permanecer no curso, pela possibilidade de aprofundamento em áreas de
conhecimento específica, expectativa expressa pelos estudantes medalhistas em Olimpíadas
Científicas. Dos resultados destaca-se que mesmo com o ERE, houve a possibilidade de realização
das atividades não obrigatórias, as quais foram ajustadas ao contexto on-line, sendo que tais
experiências auxiliaram os estudantes na transição para o ensino superior. Dentre as implicações
práticas deste estudo está na construção de propostas pedagógicas que oportunizem aos estudantes a
participação em atividades não obrigatórias ou extracurriculares e que viabilizem a presença dos
mesmos nestas experiências, por meio da revisão da carga didática obrigatória e do suporte para a
realização das mesmas, tais como: espaço físico, recursos materiais e bolsas, além da presença de
docentes na orientação das atividades.

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Publicado

2023-03-01

Cómo citar

Alves Fior, C. . (2023). CONTRIBUIÇÕES DA PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADES NÃO OBRIGATÓRIAS PARA A ADAPTAÇÃO DE INGRESSANTES MEDALHISTAS DE OLÍMPIADAS CIENTÍFICAS NO ENSINO SUPERIOR . Congresos CLABES, 1(1). Recuperado a partir de https://portalrevistas.ucb.br/index.php/clabes/article/view/16266

Número

Sección

Prácticas integrales de acompañamiento para la promoción de la permanencia y red