OS REMADORES BRASILEIROS NOS JOGOS OLÍMPICOS DE 1948: DISPUTAS DE REPRESENTAÇÕES REGIONAIS PARA ALÉM DAS RAIAS DE REMO

Autores

  • Carolina Fernandes da Silva Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
  • Giandra Anceski Bataglion Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
  • Janice Zarpellon Mazo Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

DOI:

https://doi.org/10.31501/rbcm.v29i2.11705

Resumo

O presente estudo visa compreender como a participação de atletas do remo sul-rio-grandense na delegação brasileira dos Jogos Olímpicos de 1948 mobilizou representações sobre amadorismo e profissionalismo em alguns órgãos da imprensa gaúcha e carioca. Para tanto, procedeu-se a análise documental de reportagens de jornais dos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Evidenciou-se que a convocação de dois remadores de clubes externos ao eixo Rio de Janeiro-São Paulo, os sul-rio-grandenses Paulo Diebold e Pércio Zancani, para compor a delegação olímpica brasileira acirrou o debate sobre amadorismo e profissionalismo esportivo na imprensa nacional e ancorou conflitos de representação entre a imprensa gaúcha e carioca. Assunto este, que já se fazia presente no cenário internacional desde o início do período pós Segunda Guerra Mundial e, na conjectura dos Jogos Olímpicos de 1948, foi exacerbado no Brasil, tendo nas imprensas regionais a manifestação de embates de representações estaduais, afloradas pela busca de resultados no esporte. Neste contexto, tem-se que as discussões em torno do amadorismo - como prática de distinção - e do profissionalismo no esporte, possivelmente foram empregadas pela mídia impressa a fim de beneficiar alguns remadores em detrimento de outros. Em meio a tal polêmica e lançando mão de diversas estratégias, atraiam-se leitores interessados na latente competição estabelecida fora das raias das regatas. Conclui-se que, no Brasil, a despeito de indícios da profissionalização de atletas olímpicos ter começado a ganhar força na década de 1950, o processo se manifestou antes no remo, possivelmente, ancorado em polêmicas geradas pelas imprensas regionais, como a sobre os remadores que foram aos Jogos Olímpicos de 1948.

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Biografia do Autor

Carolina Fernandes da Silva, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Professora do Departamento de Educação Física, do Programa de Pós-graduação em Educação Física e do Programa de Pós-graduação em Educação, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Giandra Anceski Bataglion, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano (PPGCMH), da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (ESEFID), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Janice Zarpellon Mazo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Professora da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (ESEFID) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano (PPGCMH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Publicado

2022-03-22

Edição

Seção

Artigo Original