Pós-colonialismo e formação do esporte brasileiro: pela necessária superação do conceito de esporte como valor universal

Autores/as

  • Katia Rubio Faculdade de Educação / Universidade de São Paulo
  • William Douglas de Almeida Faculdade de Educação / Universidade de São Paulo
  • Neilton de Sousa Ferreira Júnior Universidade Federal de Viçosa

DOI:

https://doi.org/10.31501/rbpe.v14i1.14822

Resumen

O esporte moderno tem-se apresentado historicamente à sociedade como um modelo universal de práticas atléticas competitivas. Explicações canónicas sobre o esse estatuto geralmente se servem de um argumento triunfalista, que tende a subtrair as relações de poder do processo histórico que determinou a globalização do fenômeno em destaque. Mas como explicar tal globalização e a homogeneização das regras desportivas modernas sem o fato colonial e o imperialismo? Na base destas políticas econômicas, militares e culturais de dominação e expropriação encontra-se uma orientação civilizacionista cuja força pode ser mensurada no modo como a formação sociocultural de países como o Brasil voluntariamente espelhou modelos europeus. Não por acaso, o desenvolvimento de práticas esportivas modernas no país resulta dos esforços de uma elite financeira e política notadamente filo-europeia, certa dos potenciais benefícios culturais (e raciais) do acolhimento a imigrantes europeus. Por meio de suas associações e atividades esportivas, essas comunidades emprestaram parte significativa dos insumos que compõem o complexo esportivo brasileiro. Este sistema, no entanto, se desenvolveu mantendo hierarquias e violências de gênero, raça e classe inauguradas pelo colonialismo clássico e mantidas na forma pós-colonial. Com base nesse quadro, e utilizando um método exploratório de abordagem histórico-crítica, este artigo tenta identificar e analisar as especificidades da condição pós-colonial do esporte brasileiro, ao mesmo tempo em que tenta estudar os horizontes da sua superação. A análise deste cenário sugere a necessidade de projetos teórico-políticos de descolonização do imaginário e complexo desportivo nacional.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Katia Rubio, Faculdade de Educação / Universidade de São Paulo

É Professora associada da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. É bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, é psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Fez mestrado em Educação Física na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo e doutorado em educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Fez pós-doutorado em Psicologia Social na Universidade Autônoma de Barcelona. É coordenadora do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO EEFE-USP) e ex-coordenadora do Centro de Estudos Socioculturais do Movimento Humano (CESC EEFE-USP). Foi presidente fundadora da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte. É pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP e membro da Academia Olímpica Brasileira. Tem 27 livros publicados na área de Psicologia do Esporte e Estudos Olímpicos.

William Douglas de Almeida, Faculdade de Educação / Universidade de São Paulo

Doutor em Ciências pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, na área de Estudos Socioculturais do Movimento Humano (doutorado direto). Cursando pós-doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo sob supervisão da professora Dra. Katia Rubio. Graduado em Comunicação Social - habilitação em jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2007). Jornalista na rede Bom Dia de Comunicação entre 2008 e fevereiro de 2010), Diário de São Paulo (fevereiro a novembro de 2010), Jornal A Cidade (novembro de 2010 a abril de 2012). Desde abril de 2012, empregado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tendo atuado na cobertura da Copa do Mundo de 2014, Jogos Olímpicos Rio 2016 e Jogos Paralímpicos Rio 2016. Pós-graduado em jornalismo esportivo e negócios do esporte na FMU/São Paulo. Membro do Grupo de Estudos Olímpicos na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo. Membro da Academia Olímpica Brasileira desde 2018. 

Neilton de Sousa Ferreira Júnior, Universidade Federal de Viçosa

Professor Adjunto da Universidade Federal de Viçosa - Campus Florestal. Doutor em Educação Física e Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (2017-2021). Mestre em Ciências pela mesma Universidade (2012-2014). Graduado em Educação Física pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2004-2008). Membro da Academia Olímpica Brasileira (2013) e do Grupo de Estudos Olímpicos. Membro da equipe gestora (2022-2023) da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (ABRAPESP). As dimensões racial e trabalhista no esporte configuram seus principais objetos de estudo.

Publicado

2026-08-14