Pós-colonialismo e formação do esporte brasileiro: pela necessária superação do conceito de esporte como valor universal
DOI:
https://doi.org/10.31501/rbpe.v14i1.14822Resumen
O esporte moderno tem-se apresentado historicamente à sociedade como um modelo universal de práticas atléticas competitivas. Explicações canónicas sobre o esse estatuto geralmente se servem de um argumento triunfalista, que tende a subtrair as relações de poder do processo histórico que determinou a globalização do fenômeno em destaque. Mas como explicar tal globalização e a homogeneização das regras desportivas modernas sem o fato colonial e o imperialismo? Na base destas políticas econômicas, militares e culturais de dominação e expropriação encontra-se uma orientação civilizacionista cuja força pode ser mensurada no modo como a formação sociocultural de países como o Brasil voluntariamente espelhou modelos europeus. Não por acaso, o desenvolvimento de práticas esportivas modernas no país resulta dos esforços de uma elite financeira e política notadamente filo-europeia, certa dos potenciais benefícios culturais (e raciais) do acolhimento a imigrantes europeus. Por meio de suas associações e atividades esportivas, essas comunidades emprestaram parte significativa dos insumos que compõem o complexo esportivo brasileiro. Este sistema, no entanto, se desenvolveu mantendo hierarquias e violências de gênero, raça e classe inauguradas pelo colonialismo clássico e mantidas na forma pós-colonial. Com base nesse quadro, e utilizando um método exploratório de abordagem histórico-crítica, este artigo tenta identificar e analisar as especificidades da condição pós-colonial do esporte brasileiro, ao mesmo tempo em que tenta estudar os horizontes da sua superação. A análise deste cenário sugere a necessidade de projetos teórico-políticos de descolonização do imaginário e complexo desportivo nacional.