A mídia vigiada pelo público: estudo de caso sobre a Caneta Desmanipuladora e suas estratégias de comunicação, sob o enfoque de Gatewatching e da hipótese de Percepção de Mídia Hostil.

Autores

  • Pedro Augusto de Sousa Nascimento Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)
  • Robson Dias Universidade Católica de Brasília (UCB)

Resumo

a correção que a Caneta Desmanipuladora se propõe a fazer é muito mais que uma curadoria de notícias, por vezes direcionando a angulação da notícia a um viés que convenha às crenças dos comentaristas. Muitas das correções, comentários e intervenções sobre a neutralidade jornalística visam a submissão do noticiário a um crivo específico de público. Nesse contexto, a hipótese de Percepção de Mídia Hostil (GOMES, 2016) nos ajuda a interpretar a Caneta Desmanipuladora em suas ações, que ora parecem atender a uma demanda informacional de interesse público, ora de interesse de dado público. Outra noção importante neste contexto é a de Gatewatching (BRUNS, 2011), expansão do conceito de Gatekeeper, na qual o público influencia o processo de produção da notícia por meio de comunidades de comentadores em curadoria de notícias. Trata-se de um estudo de caso com amostra de 22 postagens da fanpage Caneta Desmanipuladora, no Facebook, no período de 15 de julho de 2019 a 05 de março de 2020, com abordagem qualitativa, instrumentalizada pela análise de conteúdo (DUARTE, BARROS, 2005). Analisamos as postagens da Caneta Desmanipuladora e suas interações, críticas e estratégias de vigilância à mídia (Gatewatching) (1) e possíveis intervenções de crítica tendenciosas, na tentativa de verter o noticiário às crenças de dado público (hipótese Percepção de Mídia Hostil) (2). Os resultados mostram que a crise de mediação e a quebra de hierarquias no processo clássico de produção da notícia gera muitas possibilidades de interação dos públicos. Mais que opinar, o público produz e distribui conteúdo, resvalando em práticas de vigilância, controle social, ativismo online, cultura colaborativa, midiatização e crítica à imprensa em um novo contexto de possibilidades entre audiências e jornalismo. Os resultados organizados em 10 categorias de análise mostram que a Caneta Desmanipuladora não produz notícias em primeira mão, mas por meio de curadoria de notícias questiona, avalia e desacredita notícias, abrindo discussões sobre noticiário na web, conforme a dinâmica do Gatewatching (BRUNS, 2011). O trabalho identifica 5 estratégias de interação da Caneta Desmanipuladora como comunidade de comentaristas online independentes (BRUNS, 2011). Há também ocorrências relevantes, classificadas em hipótese de Percepção de Mídia Hostil (GOMES, 2016).

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Biografia do Autor

Pedro Augusto de Sousa Nascimento, Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

Jornalista, Designer, especialista em Políticas Públicas. 

Robson Dias, Universidade Católica de Brasília (UCB)

Jornalista, Relações Públicas, mestre e doutor em Comunicação. Professor e pesquisador do PPGE/UCB, linha Política, Gestão e Avaliação da Educação. E também do PPGCOM/UCB, linha Estratégia e Gestão Comunicacional. Coordenador do grupo Comunicação Estratégica e Economia Criativa.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

de Sousa Nascimento, P. A., & Dias, R. (2026). A mídia vigiada pelo público: estudo de caso sobre a Caneta Desmanipuladora e suas estratégias de comunicação, sob o enfoque de Gatewatching e da hipótese de Percepção de Mídia Hostil. Comunicologia, 16(2). Recuperado de https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rceucb/article/view/16542

Edição

Seção

Artigos Livres