Variação dos níveis séricos de cortisol em trabalhadores noturnos

Jéssika Medeiros de Barros Lima, Jorge Arthur Peçanha de Miranda Coelho, Wanderliza Laranjeira Coutinho, Yasmin Calegari Facchinetti, André Falcão Pedrosa Costa, Vitorino Modesto dos Santos

Resumo


Objetivo: Trabalhadores noturnos laboram e repousam em horários contrários aos do padrão cronobiológico - dormem quando o organismo está preparado para realizar atividades e trabalham quando a eficácia física e psíquica está geralmente reduzida. Essa mudança altera os ritmos biológicos do organismo, como o do cortisol. O presente estudo objetivou avaliar alterações nos níveis de cortisol em trabalhadores noturnos, além de observar os dados sócio demográficos, antropométricos e laboratoriais antes e após um turno de trabalho. Métodos: Trata-se de um estudo longitudinal, observacional, em que foram avaliados 32 trabalhadores noturnos de um serviço de urgência móvel, com as seguintes características: média etária de 45 (35-55) anos, 20 homens e 12 mulheres. Resultados: Entre os indivíduos avaliados, 31,2% tinham circunferência abdominal acima do normal; 44% obesos; 11,5% diabéticos; 34,6% com colesterol total elevado; 16% com LDL elevado e 23,3% com HDL baixo; 23% com hipertrigliceridemia; 38,7% estavam hipertensos no início do turno e 58% após o turno; houve variação significativa da pressão arterial diastólica (p=0,014), fenômeno não observado nos demais parâmetros clínicos. No início da jornada de trabalho, não houve alteração do nível de cortisol e, após o turno 12,5% dos trabalhadores apresentaram níveis acima de 690 nmol/l (p < 0,001). Conclusão: Observou-se que houve percentual significativo de variação não fisiológica nos níveis de cortisol dos trabalhadores, provavelmente relacionado com o turno da jornada de trabalho.

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