Mediastinite no pós-operatório de cirurgia cardíaca: uma revisão de literatura

Alisson Juliani, Celeste de Santana Oliveira, Ellen Tieko Tsugami Dalla Costa, Ludimila de Macedo Dalla Corte, Samanta Mendes Barreto, Antoinette Oliveira Blackman

Resumo


A mediastinite é uma das mais graves complicações de esternotomias medianas, podendo ocorrer até o 30º dia de pós-operatório e ocasionar grande morbimortalidade. Avanços recentes na abordagem perioperatória e nas técnicas de controle de infecção reduziram sua incidência, porém as taxas de mortalidade e os custos continuam elevados. Apesar da etiopatogenia ainda pouco compreendida, grande importância é atribuída à contaminação da ferida operatória durante o procedimento cirúrgico. Manipulação excessiva do doente internado e uso prolongado de dispositivos invasivos também predispõem à infecção, assim como desnutrição, obesidade e diabetes mellitus mal controlado. A técnica cirúrgica empregada pode aumentar a maior risco de mediastinite, a exemplo da utilização de ambas as artérias torácicas internas para revascularização do miocárdio e do uso excessivo do eletrocautério e de cera para osso. Bactérias Gram-positivas respondem por 60 a 80% das infecções, especialmente Staphylococcus aureus e epidermidis. Comumente há deiscência da ferida operatória com exteriorização de secreção purulenta, sinais locais de inflamação e instabilidade esternal. O diagnóstico geralmente é tardio, tendo a tomografia computadorizada de tórax grande valor, apesar de apenas a punção esternal ou a exploração cirúrgica da ferida confirmarem a suspeita. A relevância da condição, porém, reside na sua prevenção. Deve-se atenuar os fatores de risco do paciente, preparar adequadamente a pele, realizar profilaxia antibiótica e aplicar as técnicas antissépticas preconizadas. Quando instalada, deve ser tradada com drenagem e desbridamento de todos os espaços infectados aliado a antibioticoterapia empírica. 


Texto completo:

PDF