Aplicações clínicas oftalmológicas dos derivados da planta cannabis sativa: uma revisão da literatura

Suzy Moura Trindade Viana, Poliana Ferreira Vieira, Barbara Elís de Araujo, Karina Cristina Santos Lopes de Moraes, Bruna Cardoso Santos, Benedito Antônio de Sousa

Resumo


O Consumo da planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, data de 4.000 a.C., sendo que o seu uso recreativo é bastante difundido ao redor do mundo. A utilização da planta para fins medicinais, embora também tenha sido evidenciada há milhares de anos, só tem sido estudada e permitida em alguns países há pouco tempo. O sistema endocanabinoide do corpo humano, com seus receptores e substâncias que o ativam tem sido amplamente pesquisado. Recentemente foi descoberto que o mesmo está presente em quase todos os tecidos oculares, fato que pode auxiliar no tratamento de doenças oftalmológicas como o glaucoma, tanto pelos seus efeitos nas estruturas anatômicas da câmara anterior do olho, quanto por suas alterações dos níveis de glutamato, substância envolvida na fisiopatologia da doença. Existem ainda estudos que indicam o uso de derivados da planta como co-fármacos para o tratamento do glaucoma.  No entanto, existem efeitos adversos relacionados ao uso do canabidiol, mais perceptíveis  na utilização da maconha no fumo, sendo descritos principalmente alterações oculares como hiperemia conjuntival e opacificação da córnea. Entretanto, os dados disponíveis sobre as interações medicamentosas dos derivados da Cannabis sativa, bem como os efeitos adversos que ela pode causar em seu uso ocular, ainda não foram totalmente esclarecidos, necessitando-se de novos estudos e ensaios clínicos para aprovar o uso regular destas substâncias no tratamento das doenças oftalmológicas.

Texto completo:

PDF