Abordagem terapêutica da Leishmaniose Visceral no Brasil - revisão para clínicos

Renata Vivas Conti, Vitor Laerte Pinto Junior

Resumo


A leishmaniose visceral no Brasil é uma doença zoonótica uniformemente fatal se não tratada sendo causada por protozoários da espécie Leishmania infantum (syn chagasi). As crianças são as mais acometidas pela LV no Brasil, a maior parte dos casos ocorrem em indivíduos com até dez anos de idade. Clinicamente trata-se de doença de evolução crônica e tem como principais manifestações a febre prolongada, a expressiva perda ponderal acompanhada de aumento progressivo e de grande magnitude do baço e do fígado. Por fim, o paciente evolui para quadro de caquexia e imunodepressão morrendo em grande parte das vezes acometido por infecções bacterianas. Este estudo de revisão da literatura teve o objetivo de descrever as opções terapêuticas disponíveis para a LV no Brasil e a abordagem clínica do paciente adulto e pediátrico. Os antimoniais pentavalentes são as drogas de eleição para o tratamento da LV há mais de 70 anos, em situações especiais indica-se o uso de anfotericina B. O tratamento deve ser preferencialmente ambulatorial havendo indicações de internação em casos graves. Os efeitos adversos das drogas devem ser monitorados por meio de exames complementares e o paciente acompanhado por doze meses. O critério de cura é clínico e o paciente recebe alta após a exclusão de recaídas. O progressivo aumento do número de casos da LV no Brasil torna necessário que todos os clínicos, principalmente pediatras, tenham o conhecimento adequado acerca das opções terapêuticas disponíveis.


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