Síndrome do Roubo da Subclávia: Um relato de Caso
Resumo
Objetivo: Relatar o caso de um paciente com sintomas neurológicos vertebrobasilares decorrentes de estenose na origem da artéria subclávia, enfatizando a importância da anamnese e do exame físico para o diagnóstico da Síndrome do Roubo da Subclávia.
Descrição do Caso: Homem de 79 anos começou a apresentar perda do equilíbrio há 6 meses, associada a tonturas e ataxia, desencadeadas por esforços no braço esquerdo, que determinou sua queda sem perda de consciência, em duas ocasiões. Possuía antecedente de hipertensão arterial leve e dislipidemia. Ao exame físico, encontrava-se em bom estado geral, corado, hidratado e com marcha atáxica. Pressão arterial aferida no braço direito 140x85 mmHg e no braço esquerdo 80x50 mmHg. O ritmo cardíaco era irregular, com extrassístoles. Foi solicitada angiorressonância de vasos extra e intracranianos que demonstrou estenose de mais de 80% na origem da artéria subclávia esquerda.
Discussão: A Síndrome do Roubo da Subclávia consiste na presença de um fluxo retrógrado através da artéria vertebral, resultante de uma estenose proximal na artéria subclávia ipsilateral, sendo sua causa mais comum a aterosclerose. A maioria dos pacientes é assintomática, porém alguns podem manifestar sintomas na vigência de esforços em membros superiores. O ecodoppler, a angioressonância ou a angiotomografia são exames úteis à confirmação de Síndrome do Roubo da Subclávia. Todos os pacientes devem ser submetidos à terapia medicamentosa profilática cardiovascular, sendo a terapia de reperfusão restrita para pacientes com sintomas graves.
Conclusão: Na presença de sintomas vertebrobasilares em pacientes idosos, deve-se levantar a suspeita de estenose da artéria subclávia e Síndrome do Roubo da Subclávia como diagnóstico diferencial. A realização de um bom exame físico neurológico e a aferição da pressão arterial em ambos os braços são avaliações de baixo custo que conseguem reforçar a hipótese clínica.