Hemicoreia – hemibalismo secundário a estado hiperosmolar não cetótico

Paula Ramona Silva de Maria, Manoel Wilkley Gomes de Sousa, Mikaela Santos Aguiar, Maria Fernanda Ferreira, Carlos Enrique Uribe, Antônio Jorge Barbosa de Oliveira, André Gustavo Fonseca Ferreira, Carlos Bernardo Tauil

Resumo


Os movimentos involuntários tipo balismo e coreia que ocorrem secundários a estados hiperglicêmicos não cetóticos e que são confirmados com alterações cerebrais detectadas nos exames de imagem como tomografia e ressonância magnética são descritos na literatura médica como complicação pouco frequente do Diabetes Mellitus. O objetivo deste trabalho é descrever um caso clínico de distúrbio do movimento com apresentação de movimentos extrapiramidais secundários a estado hiperosmolar não cetótico e fazer breve revisão de literatura. O relato de caso é uma paciente com diagnóstico de diabetes mellitus um mês antes da internação, apresentando glicemias elevadas acima de  500mg/dl e que evoluiu com movimentos involuntários tipo hemicoreia-hemibalismo à esquerda, e estes cessavam durante o sono. A tomografia de crânio revelou área hiperdensa em topografia de núcleos da base à direita. Mesmo com normalização dos níveis glicêmicos (abaixo de 125mg/dl para glicemias de jejum e abaixo de 200mg/dl para as pós-prandiais), obtida com uso de hipoglicemiantes orais e insulinoterapia subcutânea após vinte dias, houve manutenção dos movimentos de hemicoréia-hemibalismo, sendo necessário manejo com diversas drogas psicotrópicas como neurolépticos, anticonvulsivantes e benzodiazepínicos. No seguimento ambulatorial após a alta hospitalar, a paciente apresentou melhora parcial dos movimentos hipercinéticos e o controle de imagem  com tomografia computadorizada de crânio, um mês após a alta, mostrou pequena redução da área de hiperdensidade prévia. A importância deste relato está na apresentação atípica, com a complicação de hemicoréia-hemibalismo ocorrendo próximo ao diagnóstico de Diabetes Melitus, e no difícil manejo terapêutico sem melhora do quadro mesmo após o controle glicêmico e o uso dos diversos medicamentos preconizados.


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