Hepatite B Ccongênita: uma revisão
Abstract
A hepatite B congênita é uma afecção causada por um vírus com tropismo pelo fígado a qual é adquirida pelo feto em meio intrauterino, através da passagem transplacentária. O vírus da hepatite B (VHB) é o principal agente causal de hepatopatia crônica no mundo. Estima-se que existam 400 milhões de portadores do VHB e que 15 a 40% desses falecem anualmente de doenças hepáticas relacionadas à ação do vírus. A principal via de transmissão se dá pela exposição perinatal ao sangue materno, sendo que recém-nascidos de mães portadoras da doença com o vírus circulante possuem risco de 70-90% de se infectarem no período perinatal.Já a hepatite B congênita, corresponde a 5-10% dos casos, sendo que o risco de infecção fetal aumenta com a evolução da gestação. É de extrema importância a triagem sorológica para identificação de gestantes infectadas. A prevenção da transmissão mãe-filho é feita por meio da imunoprofilaxia, com vacina contra o VHB e imunoglobulina hiperimune para hepatite B (IGHB), quando necessário. Sem a imunoprofilaxia, mais de 90% dos infantes infectados por suas mães HBeAg/HBsAg se tornarão pacientes crônicos. O Ministério da Saúde recomenda que todos os recém-nascidos devem ser vacinados nas primeiras vinte e quatro horas de vida, uma vez que a vacinação contra a hepatite B nesse intervalo é altamente eficaz na prevenção da transmissão vertical do vírus. Para recém-nascidos de mães HBsAg positivo, deve-se administrar além da vacina, imunoglobulina humana específica (HBIG 0,5ml), preferencialmente nas primeiras doze horas e no máximo até sete dias após o nascimento. É de extrema importância que a identificação da doença e o manejo da mãe e do feto infectados sejam realizados de forma adequada a fim de se diminuir esta forma de infecção pelo VHB, que ainda representa grande impacto no território brasileiro.