A integralidade da assistência a pacientes com HIV em ambulatório especializado de Alagoas
Resumen
Objetivo: na complexidade da relação entre saúde e doença, é incontestável o valor da integralidade na assistência. Portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV), por diversos fatores, podem apresentar alterações renais que influenciam diretamente no prognóstico. O objetivo é avaliar a busca do diagnóstico de acometimento renal, pelos profissionais que acompanham pacientes com HIV, como aspecto do cuidado integral. Métodos: análise retrospectiva de prontuários e coleta de exames de forma prospectiva incluindo 99 pacientes infectados pelo HIV, atendidos no ambulatório de HIV/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/SIDA) de um hospital de moléstias infectocontagiosas. Trinta e um pacientes foram entrevistados e submetidos a coletas de amostras de urina para avaliação de microalbuminúria. A filtração glomerular foi estimada com a fórmula de modified diet in renal disease (MDRD) simplificada. Resultados: do total de pacientes, 58 (58,58%) eram homens e 41 (41,41%) mulheres; 84 (84,84%) pardos, 10 (10,10%) negros e cinco (5,05%) brancos; com média etária de 41,02 ± 11,05 anos. Quanto ao esquema terapêutico, lamivudina (3TC), foi o fármaco mais utilizado (84,21%) pelos pacientes e 26 deles (21,37%) faziam uso da associação de 3TC, zidovudina e efavirenz. Percebeu-se claramente que a busca do diagnóstico de acometimento renal não foi significante. De um total de 95 pacientes, apenas 17 (17,89%) tinham no prontuário resultado de exame simples de urina. Dentre esses, dois (11,76%) apresentaram alteração na coloração, onze (64,70%) apresentaram alteração no aspecto, três (17,64%) apresentaram pH menor que 5,5, um apresentou pH maior que 7,0 (5,88%) e três (17,64%) apresentaram proteinúria de 1+. Sete (7,36%) tinham hipertensão arterial, cinco (5,2%) relataram queixas urinárias e três (3,15%) apresentaram edema. A média de microalbuminúria em amostra isolada foi de 2,12 ± 3,32 mg/dL e 12 pacientes (38,71%) apresentaram valores acima de 1,7 mg/dL. Conclusão: não se observou, na população estudada, a aplicação de cuidado integral na prática, mesmo em se tratando de pessoas particularmente sob o risco de nefropatia.