Implicações da racionalidade neoliberal na saúde mental de trabalhadores do serviço público: uma leitura psicanalítica

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DOI:

https://doi.org/10.31501/trabencena.v11i1.17088

Abstract

A racionalidade capitalista neoliberal atravessa diversas esferas da vida social, implicando os sujeitos na lógica da produtividade, do desempenho e do consumo. No campo do trabalho, essa racionalidade se expressa por meio de práticas de gestão orientadas pela competitividade, pelo empreendedorismo e pela intensificação das exigências laborais, tanto no setor privado quanto nas instituições públicas. No contexto do serviço público brasileiro, as tensões entre a lógica gerencial neoliberal, a burocracia administrativa e as restrições orçamentárias tendem a favorecer processos de sobrecarga, aceleração e esvaziamento do sentido do trabalho, contribuindo para o adoecimento psíquico dos servidores. Embora existam políticas e iniciativas institucionais voltadas à promoção da saúde mental no trabalho, tais ações frequentemente permanecem limitadas e pouco eficazes. Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar, a partir de uma perspectiva psicanalítica, as implicações do discurso capitalista neoliberal na constituição subjetiva e na saúde mental de trabalhadores do serviço público brasileiro. Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo, fundamentado na psicanálise freudo-lacaniana e na crítica social, que discute o adoecimento como efeito das contradições do trabalho contemporâneo e aponta a clínica psicanalítica como um possível espaço de escuta, elaboração do sofrimento e resistência aos imperativos produtivistas.

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Author Biographies

Camila de Araújo Antonio

Doutora em Psicologia Social do Trabalho e das Organizações (UnB). Mestre m Psicologia (UEL). Especialização em Psicodinâmica do Trabalho (UnB), Especialização em Psicologia Clínica Psicanalítica (UEL). Psicomotricista formada pelo Cesir-RJ. Residência em Psicologia Hospitalar pelo HU-UEL. Graduação em Psicologia pelo Centro Universitário Filadélfia (UniFil). Experiência como docente na pós-gradução em Psicanálise (Unifil) e na graduação (Centro Educacional Arthur Thomas). Psicanalista com experiência na área da Psicanálise Clínica e Clínica do Trabalho e das Organizações.

Ana Magnólia Bezerra Mendes, Universidade de Brasília

Professora Titular da Universidade de Brasília, atualmente pesquisadora associada ao Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, coordenadora do Grupo de Pesquisa Psicanálise e Crítica Social do Trabalho e do Projeto Clinica Psicanalítica com Trabalhadores. Pesquisadora associada da Université Paris Cité (Diderot - Paris) na École Doctorale Psychanalyse et Psychopatologie, atuando como orientadora, e membro do Centre Recherches Psychanalyse, Médecine et Société. Coordenadora IBRACT Instituto de Pesquisas e Estudos sobre Trabalho desde 2024. Fundadora do Laboratório de Psicodinâmica e Clinica do Trabalho (2007-2017).Tem Pós-Doutorado na Université Côte dAzur, Nice, França e no Freudian-Lacanian Institute Après-Coup Psychoanalytic Association em parceria com a School of Visual Arts, New York e no Conservatoire des Arts et Métiers, CNAM, Paris. Doutorado e mestrado em Psicologia, sanduíche na Universidade de Bath, Inglaterra, graduação em Psicologia na Universidade Federal de Pernambuco. Autora dos livros: Basta Super Eu!!, ciircuitos edições (2026). As Galinhas que Lutem! O Trabalho na Clinica Lacaniana, circuitos edições (2022), Desejar, Falar, Trabalhar, editora Fi (2018), Trabalho e Sofrimento: Práticas Clinicas e Políticas (2014) e Clinica Psicodinâmica do Trabalho: O Sujeito em Ação (2012) pela editora Juruá. site: www.ibract.com.br, emails: ibract01@gmail.com e anamag.mendes@gmail.com.

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Published

2026-07-14

How to Cite

Antonio, C. de A. ., & Mendes, A. M. B. . (2026). Implicações da racionalidade neoliberal na saúde mental de trabalhadores do serviço público: uma leitura psicanalítica. Trabalho (En)Cena, 11(1), e026003. https://doi.org/10.31501/trabencena.v11i1.17088

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Section

Artigo de Revisão de Literatura