Implicações da racionalidade neoliberal na saúde mental de trabalhadores do serviço público: uma leitura psicanalítica
DOI:
https://doi.org/10.31501/trabencena.v11i1.17088Resumen
A racionalidade capitalista neoliberal atravessa diversas esferas da vida social, implicando os sujeitos na lógica da produtividade, do desempenho e do consumo. No campo do trabalho, essa racionalidade se expressa por meio de práticas de gestão orientadas pela competitividade, pelo empreendedorismo e pela intensificação das exigências laborais, tanto no setor privado quanto nas instituições públicas. No contexto do serviço público brasileiro, as tensões entre a lógica gerencial neoliberal, a burocracia administrativa e as restrições orçamentárias tendem a favorecer processos de sobrecarga, aceleração e esvaziamento do sentido do trabalho, contribuindo para o adoecimento psíquico dos servidores. Embora existam políticas e iniciativas institucionais voltadas à promoção da saúde mental no trabalho, tais ações frequentemente permanecem limitadas e pouco eficazes. Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar, a partir de uma perspectiva psicanalítica, as implicações do discurso capitalista neoliberal na constituição subjetiva e na saúde mental de trabalhadores do serviço público brasileiro. Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo, fundamentado na psicanálise freudo-lacaniana e na crítica social, que discute o adoecimento como efeito das contradições do trabalho contemporâneo e aponta a clínica psicanalítica como um possível espaço de escuta, elaboração do sofrimento e resistência aos imperativos produtivistas.
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