Tecnologias, Algoritmos e Afetos nos relacionamentos digitais: uma análise das tecnicidades na construção de vínculos afetivos via Tinder
Resumen
Este artigo analisa as transformações nas relações afetivas mediadas por aplicativos como o Tinder, sob a ótica das tecnologias, algoritmos e suas implicações sociais. A pesquisa, de natureza qualitativa, utiliza a netnografia para observar as dinâmicas de interação e a análise do discurso, com base em Michel Foucault e Guy Debord, para desvendar as lógicas de poder subjacentes. Argumenta-se que a tecnologia não é neutra, mas um dispositivo que, através de algoritmos de relevância, molda a subjetividade dos usuários e as relações que são consideradas válidas. A partir da teoria do espetáculo de Debord, o trabalho discute como os perfis no aplicativo se tornam autorrepresentações performáticas e ideais, transformando o afeto em um produto de consumo. Por fim, a análise conclui que as interações no Tinder, embora ofereçam novas formas de sociabilidade, operam sob uma lógica de mercado que trata os indivíduos como mercadorias, reforçando uma utopia de controle e perfeição em detrimento da complexidade e espontaneidade das relações humanas.
