Psicanálise do cafuné: terreiros de minha avó
DOI:
https://doi.org/10.31501/esf.v0i18.12234Palavras-chave:
Fundo público, Financiamento esportivo, Esporte.Resumo
Pisando com os pés descalços sobre uma porção pequena de terra batida do quintal de minha mãe, num bairro chamado Jaraguá, na região noroeste da cidade de São Paulo. Meus pés tateiam o solo fértil com plantas que foram semeadas por pássaros, mudas que transitaram de diferentes regiões da cidade e outras que vieram da cidade de minha avó Nair que viveu toda sua vida em Muriaé (MG). O quintal era o terreiro para minha avó. O lugar das criações. Agricultura sintrópica. Termo cunhado pelo pesquisador suiço Ernst Götsch, durante os anos 80 no Brasil, que é compreendida pela organização, integração, equilíbrio e preservação. Na mesma medida, esta forma de agricultura encontra-se nas seguintes dimensões: largura, comprimento, altura e tempo. Fricções. Colonialidades que atravessam temporalmente. Apagamentos. Lembrei-me novamente de minha avó. Tecnologia ancestral. Lembrei-me de minha mãe. Processos de aprendizagens. As plantas do terreiro convivendo num espaço que se inter-relacionam. O corpo. Os corpos. Deslocamentos afrodiaspóricos. Plantas que possuem funções distintas de uso medicinal, proteção, culinário e ornamental. Os pés de jurubeba (Solanum paniculatum), espada de São Jorge (Sansevieria trifasciata), ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), orelha de padre (Dolichos lablab), amora (Morus), pitanga (Eugenia uniflora L.), ameixa (Prunus subg. Prunus), figo (Ficus carica), banana (Musa), limão (Citrus limon), goiaba (Psidium guajava), maracujá (Passiflora edulis), cana de açúcar (Saccharum officinarum), chuchu (Sechium edule), mandioca (Manihot esculenta), costela-de-adão (Monstera deliciosa), orquídea (Orchidaceae). Terreiro de minha mãe. Terreiro da mãe de minha mãe. O terreiro de minha casa. Reinvenção de mundos. As mãos. Os pés. O corpo se movimenta. O gesto laboral que rememora diferentes produções de saberes, tecnologias e epistemologias como estratégias de reinvenção do fazer e reescritas para tudo aquilo que me formaram como artista.
Palavras-chave: tecnologia ancestral, epistemologias, colonialidades, processos de aprendizagens, arte contemporânea.
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