O CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO NA SUPREMA CORTE NORTE-AMERICANA: UMA ANÁLISE SOBRE O BACKLASH À LUZ DO DEBATE ENTRE CONSTITUCIONALISMO DEMOCRÁTICO E MINIMALISMO JUDICIAL
DOI:
https://doi.org/10.31501/rvmd.v10i1%20Jan/jun.6645Resumo
Resumo- Um dos momentos mais importantes na história do constitucionalismo norte-americano foi a decisão histórica da Suprema Corte em Obergefell v. Hodges. Esse trabalho visa analisar a temática do backlash à decisão da Suprema Corte no caso Obergefell v. Hodges à luz do debate entre Constitucionalismo Democrático e Minimalismo Judicial. Cass Sunstein, em One Case at a Time, desenvolve a teoria do Minimalismo Judicial, segundo a qual as Cortes devem solucionar apenas as questões específicas do caso em análise, evitando decidir de maneira ampla as matérias constitucionais controvertidas que não decorram de um consenso social. Diferentemente, para o Constitucionalimo Democrático, defendido por Robert Post e Reva Siegel, a Constituição e o direito constitucional são moldados em meio a interações discursivas entre o governo, o Congresso, as Cortes, as reivindicações dos movimentos sociais e os partidos políticos. A pesquisa delineia-se pelo método fenomenológico-hermenêutico, especialmente por se tratar de um método de abordagem que busca aproximar sujeito e objeto a serem pesquisados.
O trabalho também utiliza o método histórico, o qual possibilitará investigar fatos, processos e instituições do passado com o intuito de compreender o alcance de fenômenos sociais atuais. Nesse ponto, por meio de um método histórico e hermenêutico (estudo de caso), esse trabalho defende que a tese do backlash centrada no ativismo judicial, defendida por Sunstein, pode ser desconstruída por meio de uma investigação histórica que demonstra como líderes políticos estão incitando atores religiosos a se engajarem em reivindicações baseadas na isenção legal decorrente da objeção de consciência justificada pela lógica da cumplicidade. Defende-se que o ativismo judicial na efetivação de direitos fundamentais de minorias sexuais ao introduzir argumentos constitucionais no debate, pode incrementar a capacidade de luta desses grupos contrariamente a concepções assimétricas de mundo.
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